Ghost: Meliora consolida a carreira da banda

Posted by TRMB | Posted in | Posted on 19:55

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A maior sensação – por que não? – do metal dos últimos anos passou com sucesso em dois grandes testes: o do primeiro e o do segundo álbum. Alguns dizem que a pressão do segundo é ainda maior que a do debut. Isso não sei dizer. Mas depois de dois discos bem-sucedidos, o Ghost pode afirmar que já possui uma carreira estabilizada, uma base de fãs conquistada (e contando...) e um estilo musical e visual que chama a atenção daqueles que não os conhecem. Além, é claro, do mistério de "ninguém" saber quem são os cinco membros da banda, que se apresentam usando máscaras.

Meliora, que já vem gerando piadas infames (do tipo “o Ghost meliora a cada álbum”), significa algo como a “busca por algo melhor”, mostra uma banda que realmente sabe buscar o melhor de si dentro de seu gênero, comumente chamado de “occult rock” ou “occult metal”.

A fantástica capa foi baseada no filme “Metropolis”, de Fritz Lang, e sabe traduzir em imagem o sombrio e melódico som dos suecos.



Cirice foi a primeira canção a ser mostrada, e seus mais de 6 minutos destacam-se pela levada quebrada e o magnífico solo de guitarra. Majesty é definitivamente a melhor faixa. Um riff simples e arrepiante, acompanhado de teclados muito bem encaixados, uma levada lenta e cavalgada, melodias vocais de extremo bom gosto desembocam em um dos melhores refrãos do disco.

Absolution é outra que se destaca, uma faixa que vai crescendo e termina no ápice com um refrão melódico. Aliás, quando fala-se em Ghost, é impossível não mencionar a qualidade do vocalista Papa Emeritus (agora III) em encaixar belas melodias vocais. From the Pinnacle to the Pit e Deus in Absentia mostram bem isso.

Duas outras faixas merecem uma atenção especial: He Is, uma espécie de semi-balada conduzida por teclados e com ótimas guitarras gêmeas, e Mummy Dust,  a mais pesada e obscura.

Se existe um teste do terceiro álbum, o Ghost passou com sobras.


Nota 8.5

Slayer: nada de novo. Do jeito que a gente gosta!

Posted by TRMB | Posted in | Posted on 19:01

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De certas bandas esperamos sempre algo novo para não cair na mesmice e continuar nos empolgando. De outras, esperamos o contrário: que continuem fazendo o que sempre fizeram. AC/DC, Motörhead... Slayer! Não esperamos nunca que o Slayer pare de nos proporcionar a trilha sonora para o fim do mundo com seu thrash metal violento.

O novo álbum do quarteto, primeiro sem Jeff Hanneman (morto em 2013) e agora sem Dave Lombardo na bateria, sendo substituído novamente por Paul Bostaph, Repentless, com lançamento em 11/09, segue a risca o que sempre gostamos na banda: a violência musical quase gratuita.

A capa foi desenhada por um artista brasileiro: Marcelo Vasco. 


Com Gary Holt (guitarrista substituto de Hanneman) já enturmado, a banda soa coesa e precisa como mostram, por exemplo, a rápida e bruta faixa-título e a arrastada When the Stillness Comes, as duas faces do Slayer que todo mundo gosta. Paul Bostaph é um grande baterista, um dos maiores do gênero, mas é impossível em alguns momentos não sentir falta de algumas viradas características de Lombardo, o que pode te trazer um sentimento de “ah, se fosse o Dave...” mas nunca o de rebaixar Paul ou o disco em si.

Kerry King escreveu quase todas as canções do álbum, exceto Piano Wire, creditada ao falecido Jeff Hanneman, que pode ter entrado mais como uma homenagem, porque não é um dos pontos altos do trabalho. Ao contrário de Chasing Death que tem belos riffs e vocais mais falados de Tom Araya. Take Control e Vices são candidatas a tornarem-se favoritas dos fãs; riffs clássicos, peso absoluto, velocidade, groove e letras insanas.

O ponto fraco do disco – se é que posso chamar assim – é o final: escolhidas para encerrar o trabalho, You Against You e Pride in Prejudice pouco acrescentam em qualidade ao álbum. Talvez se fosse mais enxuto, com 10 canções, teria até uma certa mística maior para Repentless.

Um grande lance desse novo play do Slayer é uma espécie de redenção para Paul Bostaph: fora ter gravado Divine Intervention (1994), que é o favorito de uma parcela considerável de fãs (está no meu top 3 da banda), todos os outros álbuns gravados na sua passagem anterior são questionados pelos fãs: Diabolus in Musica (1998) é constantemente eleito o pior do Slayer, enquanto God Hates Us All (2001) foi até acusado de flertar com o new metal, o que é um absurdo, mas que também não o livra de ser fraco.


Repentless segue a linha do thrash clássico e característico que a banda voltou a praticar em Christ Illusion (2006) e World Painted Blood (2009) e, como já foi dito, tem tudo para agradar todos os milhares de fãs da banda.

A produção ficou a cargo de Greg Fidelman e Terry Date, e também marca a estreia do Slayer pela Nuclear Blast após anos com a American Recordings.

Nota 8.5

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