O que tocou na minha vitrola... Semana #3: Nightwish

Posted by TRMB | Posted in , | Posted on 18:27

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Carlos H. Silva

Após tempos conturbados em 2012, quando em meio a turnê de Imaginaerum (2011) a banda demitiu a vocalista Anette Olzen e convocou Floor Jansen para seu lugar, o Nightwish rapidamente se estabeleceu com a nova vocalista em uma turnê de sucesso que teve passagem pelo Brasil e culminou com um show gravado em pleno Wacken Open Air, ainda com dúvidas se Floor seria efetivada no posto. As performances ao vivo não deixavam dúvidas de que iria.

Após a confirmação da permanência de forma efetiva da vocalista e do músico Troy Donockley (gaita de fole e flauta), se juntou ao time o baterista Kai Hahto como convidado para o disco e a turnê devido a problemas de saúde com o batera oficial Jukka Nevalainen. Completam o barco Emppu Vuorinen (guitarra), Marco Hietala (baixo e vocal) e o capitão Tuomas Holopainen (teclados e produção).

Em fevereiro veio o primeiro aperitivo: o single Élan, um tema suave onde Jansen encanta com sua sutileza ao passear pela letra da canção como se estivesse nos contando um conto de fadas; Endless Forms Most Beautiful, título do novo trabalho, em si não chega a ser conceitual no sentido de contar uma história, mas a maioria das faixas tem como tema a evolução e o sentido da vida, baseadas em livros de Charles Darwin e Richard Dawkins, que participa do álbum em narrações.


Por melhor que Élan seja, talvez ela não tenha sido uma boa escolha para primeiro single (mesmo tendo rapidamente ultrapassado a marca de um milhão de visualizações no YouTube) no sentido de mostrar para os fãs uma ideia geral da sonoridade do disco, para esse propósito a melhor opção seria Alpenglow, canção rápida com toques épicos e a mesma sensibilidade da vocalista para interpretar.

Falando em Floor Jansen, é impossível não prestar mais atenção na performance dela nas primeiras audições do trabalho, afinal é a primeira experiência em estúdio dela com a banda. E a vocalista não deixa dúvida de que foi a escolha certa. Os tons mais agressivos e rasgados de Yours In An Empty Hope contrastam com a leveza, técnica e sensibilidade de Our Decades in the Sun.

Shudder Before the Beautiful é a típica faixa de abertura do Nightwish, tem até duelo entre guitarra e teclados, algo esquecido pela banda nos últimos anos. A canção que dá nome ao álbum será o segundo single e é um dos destaques, junto com a tocante Edema Ruh.

The Greatest Show On Earth talvez seja o momento mais esperado por todos os fãs. Desde que foi anunciado que uma das faixas teria quase 25 minutos de duração, criou-se na imaginação de cada um que estrutura teria essa canção. Com essa duração, obviamente muitas influências progressivas surgem durante a música, que trata especificamente sobre a criação do universo e a Evolução dos seres humanos – e tem narração de Richard Dawkins. Longas passagens instrumentais, lentas e rápidas, refrão empolgante, boa divisão de vocais, boas melodias. Realmente foi o destaque maior de todo o trabalho.

Completam a obra a pesada Weak Fantasy, a melódica My Walden (destaque para Troy Donockley) e a instrumental The Eyes of Sharbat Gula.


Tuomas Holopainen provou que tomou a decisão certa ao reformular a banda e Floor Jansen provou que também tomou a decisão mais sábia ao aceitar ser vocalista do Nightwish tendo um setlist inteiro para aprender em 48 horas, lá no longínquo 2012.

Há sempre uma parcela grande de fãs que lembrará com saudosismo e preferência a era clássica com Tarja Turunen nos vocais; porém nos últimos dois trabalhos com Anette Olzen e principalmente neste atual com Floor Jansen, a banda foi capaz de conquistar toda uma nova geração de fãs - além de ganhar também o apreço de pessoas que não gostavam tanto dos vocais mais "operísticos" da Era Tarja e que curtem mais essa fase iniciada em 2007 com Dark Passion Play, onde os vocais saem daquela esfera da música clássica e se tornam mais "metal" (na falta de um termo melhor para usar), como este que vos escreve. A função deste parágrafo é para afirmar que Endless Forms Most Beautiful é o melhor trabalho do Nightwish.





Slayer libera nova música; ouça aqui

Posted by TRMB | Posted in | Posted on 17:49

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When the Stillness Comes, som novo do gigante Slayer está disponível para audição.

A canção fará parte do novo álbum do quarteto, ainda sem nome ou data de lançamento.





Álbuns conceituais: a experiência além da música

Posted by Rose Gomes | Posted in | Posted on 08:51

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A definição para o termo álbum conceitual é bastante ampla. Quando lembramos de trabalhos deste gênero, inicialmente nos vem à cabeça discos que contam uma história através de todas as faixas, o que nem sempre acontece. O disco conceitual pode também contar com letras que se diferem entre sí mas que tratam de um mesmo tema, o que NÃO é o caso de uma ópera-rock, por exemplo, em que as letras estão todas interligadas por meio de um único enredo, o que dá ao trabalho ares literários e até mesmo teatrais.
Enquanto todas as óperas-rock podem ser consideradas discos conceituais, nem todos os discos conceituais podem ser considerados  óperas-rock. Complicado? Nem tanto. Há por exemplo álbuns conceituais como Tommy, do The Who e The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars, de David Bowie, que possuem personagens e uma única história que vai se desenrolando faixa à faixa, enquanto que há também os chamados conceituais, álbuns como In the Weel Small Hours de Frank Sinatra que não exatamente conta uma história com começo, meio e fim, mas aborda em todas as faixas sua melancolia sentimental, tendo como único tema o fim de seu romance, (algo como Chris Martin fez com seu Ghost Stories após levar um belo pé no traseiro).
Apesar do disco de Sinatra ser lançado em 1955, muitos consideram que o formato surgiu inicialmente com as grandes bandas de rock dos anos 60. Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, álbum de 1967 dos Beatles, é tido oficialmente por muitos críticos musicais e fãs como o precursor do estilo, batendo de frente com tantos outros apreciadores que acreditam que o título pertence à banda The Moody Blues, com o seu Days of Future Passed, também do mesmo ano. Discussões à parte, a década de 1960 fez brotar inúmeros trabalhos conceituais e a partir de então, discos com alto teor de qualidade envoltos numa história ou num tema foram produzidos. Os já citados Sgt. PeppersDays of Future Passed (ambos de 1967) e Tommy (1969), são bons exemplos de álbuns conceituais sessentistas.
Na década seguinte os discos conceituais tiveram predominância sobretudo entre as bandas progressivas. Um dos grupos que mais se destacou dentro deste formato foi o Pink Floyd, com os álbuns The Dark Side of the Moon (1973) e The Wall (1979). Além deles, outros nomes da vertente como Emerson, Lake, and Palmer (Tarkus, de 1971), Yes (Tales from Topographic Oceans, de 1973), Jethro Tull (Thick as a Brick, 1972) entre outros, produziram excelentes discos com temáticas conceituais.
Dentro do heavy metal bandas clássicas como Iron Maiden (Seventh Son of a Seventh Son,1988), King Diamond (Abigail, 1987) e Queensrÿche (Operation: Mindcrime, 1988) também representam bem este formato de trabalho, abordando variados temas e enredos de forma criativa e mais pesada.
Já nos anos 90, em meio ao surgimento de movimentos como o grunge, o formatoconceitual apareceu timidamente através dos trabalhos de algumas bandas como The Smashing Pumpkins (Mellon Collie and the Infinite Sadness, 1995), Radiohead (Ok,Computer, 1997) e Blur (Parklife, 1994).
Mas o gênero conceitual não é privilégio somente entre os lendários grupos de rock. Até mesmo a sonoridade moderna dasbandas indies da atualidade compõem este tipo de trabalho em que os sentidos da interpretação das letras e audição, devem estar bem aguçados. Bons exemplos ficam a cargo de nomes como Arcade Fire (The Suburbs, 2010), Muse (The Resistance,2009) e Death Cab for Cutie (We Have the Facts and We’re Voting Yes, 2000).
Presente em todas as vertentes musicais, este formato fonográfico vem sofrendo mudanças sensíveis através dos anos, mas sua essência continua a mesma: nos levar à uma experiência que vai além de uma simples audição, expandindo nossa visão além da música.

Postado originalmente no blog Cadê Meu Whiskey?

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